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A formação das linhas dos hexagramas

A geração simbólica das linhas

“O Tao gera o um, o um gera o dois, o dois gera o três e daí as infinitas (dez mil) coisas são criadas”. Essa é chave da criação, tal como descrita no capítulo 42 do Tao Te King (Dào Dé Jīng).

O Wu Chi, o Vazio Absoluto, o Tao, o Inominável é Deus que não pode ser nomeado como em muitas religiões antigas. E da plenitude do vazio, de dentro deste Uno surge a dualidade, o Yin e o Yang, o vazio e o cheio. O quebrado linha-interrompida e o inteiro linha-inteira.

Estes dois têm que “dançar” entre si, se enroscar e enovelar. Anelar e transmutar no 3 pelo caminho do 4:

Ilustração original em “I Ching, a Alquimia dos Números” de Wu Jyh Cheng. Ed. Objetiva.
Ilustração original em “I Ching, a Alquimia dos Números” de Wu Jyh Cheng. Ed. Objetiva.

Do Yin e do Yang surgem as quatro direções. Combinados entre si formam quatro imagens que enlaçadas uma vez mais com Yin e Yang cada par, aí sim teremos o 3. Os trigramas.

No Grande Tratado, que fala da formação do I Ching, o Livro das Mutações, lemos:
“O primeiro movimento é habitual, progressivo no sentido horário, acumula e se expande com o decorrer do tempo….o segundo movimento é o que se dobra e se contrai no decurso do tempo”. (I Ching, trad. Wilhelm, pag.206.).

É assim, que estas quatro direções, acrescidas de mais uma linha dão origem à Rosa dos Ventos, as 8 direções. No sentido horário, portanto num sentido prospectivo, se forem observadas estas evoluções, temos a Sequencia do Céu Anterior, a Sequencia Primordial, sequencia que antecede o mundo, a Ordenação Primordial:

trigramas-ceu-anterior
Os trigramas na sequência do Céu Anterior Ilustração original em “I Ching” de R. Wilhelm, Ed. Pensamento, pag. 206

Se há um movimento de contração e retroativo, temos a Sequencia do Céu Posterior, ou a Ordem Interna do mundo, as possibilidades do mundo aparente:

tragrama-ceu-posterior
Os trigramas na sequência do Céu Posterior. Ilustração original em “I Ching” de R. Wilhelm, Ed. Pensamento, pag. 207

Combinadas estas duas sequências temos: 8 x 8 = 64. Os 64 hexagramas. E os antigos sábios chineses sugerem ser as possibilidades das micro e macro situações do Universo, sempre em Mutação, sendo que o único imutável é o Tao. Tudo o mais é relativo ao seu oposto, ou ao contrário complementar. Parece ser um oráculo consultado milenarmente, o I Ching. São fundamentos ainda bastante complexos que dão conta e darão conta ainda, de muitas conexões e analogias aos pequenos fatos humanos e a grandes eventos cósmicos. A prática o tem demonstrado.

O I Ching, o livro sagrado das mutações, livro ancestral chinês, tem sua origem perdida na bruma dos tempos. Há inscrições dos trigramas em casco de tartaruga ou omoplata de animais de mais de 6000 anos atrás. Informações linguísticas relacionam com os princípios da linguagem ideogramática. A consciência inscrita.

Esse começo parece fácil, mas me esforço para compreender o I Ching há, pelos menos, 30 anos. Sabia desta explicação do 2, 3 e 4. Mas não atinava como poderia ser. Eis aqui uma introdução a este universo maravilhoso do Tao e suas transmutações.

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